terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

DE ISABEL ALLENDE

"CARTA DE UNA MAMA A SUS HIJOS

Por Isabel AllendeSiempre que quieren hablar de madres en la televisiónmuestran mujeres con chicos en los brazos, sonrientes,dulces, cariñosas, sin una pizca de cansancio,espléndidamente maquilladas y a eso agregan maravillosasfrases de posters.¡¡

Mentiras !!! Las mamás no somos abnegadas amantes del sacrifico yaguerridas guerreras que todo lo pueden.*Las mamás lloramos abrazadas a la almohada cuando nadienos ve, pedimos la peridural en el parto y puteamos en17 idiomas cuando tenemos que poner el despertador a las 2 dela mañana para ir a buscarlos a una fiesta.*

Cuando les decimos que no se peleen con ese compañeritoque les dice 'enano' o 'cuatro ojos', y lesdamos toda clase de explicaciones conciliatorias, enrealidad querríamos tener el cogote del pequeñoverdugo entre nuestras manos.*

Y también pensamos que la vieja de geografía es un malbicho cuando les baja la nota porque no saben cuántosmetros mide el Aconcagua que, al final, a quién cuernosle importa. Pero no lo podemos decir.*

No es que nos encante pasarnos horas en la cocinatratando de que el pescado no tenga gusto a pescado ydisimulando las verduras en toda clase de brebajes, enlugar de tirar un Patty a la plancha.... Es que tenemosmiedo de que no crezcan como se debe.*

No es que nos preocupe realmente que se pongan o no unsaquito... Es que tenemos miedo de que se enfermen.*

No es que los queramos más cuando se bañan.... Es queno queremos que nadie les diga roñosos.No lo hacemos por Uds. Lo hacemos por nosotras.*Porque ser mamá no tiene que ver con embarazos,pañales y sonrisas de aspirinetas.*

Tiene que ver con querer a alguien más que a una misma.Con ser capaz de cualquier cosa con tal de que ustedes nosufran. NADA, nunca, jamás.*

Ustedes nos hacen felices.... cuando les encantannuestras milanesas, cuando nos consideran sabias porcontestar todas las preguntas de los concursos de la tele.Cuando vienen llorando a gritos porque se rasparon larodilla y nos dan la posibilidad de darles consuelo ycuritas.*

Cuando recién levantadas nos dicen, qué linda queestás, mamá.* Ustedes nos hacen mejores.*
Nos dan ganas y fuerzas. Nos comeríamos un gurka crudoantes de que les toque un dedito del pie. Nos lavamos lacara y salimos del baño con una sonrisa de oreja a orejapara hacerles saber que la vida es buena, aunque nos vayacomo el reverendo... Cantamos las canciones de Chiquititas y vemos Barney y escuchamos a Los piojosy compramos Nopucid y repasamos 500 veces la tabla del 2 yarreglamos el carburador para llevar a los pibes a fútbol,a inglés, a dibujo, a la psicóloga, a basquet, a volley, adanzas, a la casa de la amiga, a la maestraparticular, al dentista, al médico, a comprar unpantalón...* Y armamos 24 bolsitas con anillitos y pulseritas ytratamos de que la torta parezca un Pikachu y nos buscamosotro trabajo y sacamos créditos y nos compramos libros yvamos al psiquiatra y al pediatra y a los videos ynegociamos con los maestros y los acreedores y recortamosfiguritas y estudiamos junto a ustedes ríos,provincias,las capitales de los países de Europa y nos ponemos lindasy nos enojamos y nos reímos y nos salimos de quicio y nosconvertimos en la bruja y la princesa de todos loscuentos....*
Sólo y exclusivamente para verlos felices.*

VERLOS FELICES ES LO QUE NOS HACE FELICES.Ojalápudiéramos pegar el mundo con cinta scotch (como el veladorque cayó en combate en la última guerra de pijamas party),para que fuera un lugar mejor para ustedes.* GRACIAS POR HACERME SU MAMÁ. GRACIAS POR HACERME TANIMPORTANTE.*

Gracias, por esas porquerías que hacen en el colegiocon corchitos y escarbadientes (que casi nunca entiendo paraque sirven pero guardo religiosamente), gracias por losabrazos, los besos, las lágrimas, los dolores, los dientesde leche, las cartitas, los dibujos en la heladera, elAmoxidal de tantas noches sin dormir, los boletines, lasplantas rotas del jardín por jugar a la pelota, por mimaquillaje arruinado por ser usado para jugar a la mamá,por las fotos de la primaria .....Son mis mejores medallas. Gracias porque LOS AMO. Y ese,es el amor que me hace grande.*

Lo demás, es marketing".

sábado, 30 de janeiro de 2010

SEGUE O "BAILE DA SAUDADE"

Muitas coisas belas e reconfortantes passam pela nossa vida e, de forma incoerente com os nossos sentimentos, não as valorizamos devidamente.

Adoro recordar tempos idos e intensamente vividos e recordar o que – se não for lembrado – irá caindo no esquecimento e acaba no completo ostracismo.

Acompanhei todos os passos da TV-Tupi, desde os seus primórdios. Foi, afinal, a primeira estação de TV a ser inaugurada no Brasil.

Já num primeiro instante, logo após o acionamento da chave de seus transmissores RCA Victor, pelo jornalista e proprietário da Rede Associada, Assis Chateaubriand, as belas surpresas nos eram brindadas com a sensibilidade da verdadeira arte.

Foi o momento em que o grande tenor mexicano, Pedro Vargas (além de excelente artista também uma figura humana notável), era anunciado aos telespectadores..

Iniciou um verdadeiro desfile de seus próprios sucessos, liderando um grupo de artistas brasileiros também.

A Tupi dos velhos tempos não media esforços para fazer o melhor. Aqui no sul, montou, em Porto Alegre, a TV Piratini. Esta retransmitia os principais programas daquela, como também tinha alguns espaços locais.

Um dos primeiros artistas a ser incluído na programação da Tupi, para apresentação de produções artísticas de auditório, juntamente com sua mulher, foi Airton Rodrigues (e Lolita Rodrigues).

Eles formavam um par intensamente aplaudido, embora a idade avançada de Airton já fosse visível. Não foi um grande apresentador, mas teve qualidades notáveis: direcionou seu programa ao saudosismo, em especial.

Em “Almoço com as Estrelas” nasceu um nome que marcaria indelevelmente a sensibilidade de quarentões para cima, nascido em São Paulo em 08 de novembro de 1923 (falecido há três anos e alguns dias (19 de janeiro de 2007).

Descendente direto de italianos do Bexiga, depois de cumprir algum tempo na Tupi, organizou sua própria companhia de espetáculos e começou a percorrer o Brasil inteiro com o seu famoso “Baile da Saudade”.

Depois de ser motorista de táxi durante muitos anos, eis que triunfava o ídolo dos salões dos freqüentadores da terceira idade que o idolatravam.

Francisco Petrone era seu nome de nascimento. Abrasileirou-o para Francisco Petrônio (que afinal também vem da Roma antiga...)

Somente aos 38 anos veio a iniciar sua carreira. Chamavam-no de “A voz de veludo do Brasil”.

Quem o descobriu, ainda no táxi e cantarolando, foi a cantor Nerino Silva que, entusiasmado, o levou diretamente à Tupi e o apresentou a Cassiano Gabus Mendes, então diretor artístico da emissora. Contrato imediato tanto para a TV como também para a Rádio Tupi.

A música “Baile da Saudade” bateu todos os recordes de vendas de sua época (1964).

Labutou incessantemente durante 46 anos ininterruptos. Gravou 55 discos 78rpm e CDs.

Em 1964 criaria Petrônio o Baile da Saudade, inicialmente através da TV Paulista – atual Globo.

Depois disso, além das viagens, gravou programas para a TV Bandeirantes, TV Gazeta, TV Cultura, TV Record e, finalmente, a Rede Vida, com o programa, Cantando com Francisco Petrônio”.

Suas três paixões: a família, cantar (aplausos, claro) e o Palmeiras.

Deixou, além da viúva, dona Rosa, três filhos e seis netos.

Sua maviosa voz não deixa de ser lembrada e aplaudida até hoje, através das gravações e vídeos que deixou. Este, como tantos outros do mesmo quilate, são os verdadeiros IMORTAIS!

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

POSTAGEM PARA "AL NETO" (Afonso Alberto Ribeiro Neto)

Este leitor também acompanhou, de perto, parte da vida de Al Neto, cujas publicações fizemos - em 06 capítulos - e foram reproduzidas nos blogs "Caros Ouvintes" (Florianópolis), "Luis Nacif"(São Paulo) e tantos outros.

Eis a Mensagem recebida:


Guta deixou um novo comentário sobre a postagem "AL NETO (Afonso Alberto Ribeiro Neto) (V)":

"É, Dr Al Neto foi um grande homem, digno de admiracão eterna...

Tive o prazer de conhecer e conviver com ele durante um tempo e vivi depois de seu falecimento uns bons anos dentro de sua historia fazenda estancia do pinheirinho!eh uma pena ter tao poucas coisas a respeito dele na internet.

sábado, 10 de outubro de 2009

"DIA DO MAÇOM" - ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DE SC HOMENAGEIA

Em razão da incidência da "gripe A" durante todo o último mês de agosto/2009, o DIA DO MAÇOM (20/08) foi comemorado somente no dia 30 de setembro de 2009.

O evento principal teve lugar no auditório Deputada Antonieta de Barros, na ALESC, com a presença de cerca de 500 maçons das três Potências (GOB-SC, GOSC e GLSC) oriundos de todo o Estado de Santa Catarina.

Após a concorrida cerimônia, o Presidente daque Casa, deputado e Maçom, Jorginho Mello, distribuiu às Lojas Maçônicas do Estado e aos principais e mais conceituados órgãos de imprensa de Santa Catarina, a seguinte nota oficial:

"PRESIDENTE DEPUTADO JORGINHO MELLO CONDUZ ATO SOLENE EM HOMENAGEM AO "DIA DO MAÇOM"

Instituido pela lei estadual n. 13.461/05, de autoria do deputado Jorginho Mello, o Dia do Maçom é comemorado em 20 de agosto, data também celebrada nacionalmente, escolhida por ser neste dia que a Independência do Brasil foi "proclamada" por Gonçalves Ledo, em reunião da Loja Maçônica Arte e Comércio, no Rio de Janeiro, em 1822.

Para homenagear o Dia do Maçom, no noite de ontem (30) foi realizado um ato solene, conduzido pelo presidente Jorginho Mello, no auditório Deputada Antonieta de Barros, que contou com a presença de maçons de do estado todo, seus familiares e amigos.

A importância da realização de um ato solene para homenagear o Dia do Maçom foi destacada pelo presidente Jorginho Mello.

"A Maçonaria contribuiu e influenciou episódios importantes da história do pais,a participação consciente com o ideal de igualdade, liberdade e fraternidade, continua a fazer eco até os dias atuais. Nas mais diversas manifestações em favor do ser humano em sociedade".

Durante a solenidade foram entreguas obras elaboradas pelo Centro de Memória, coordenado por Thessália May Rodrigues, que reuniu todos os documentos sobre a Maçonaria no estado. As obras foram entregues aos três Grão-Mestres maçônicos de Santa Catarina, como forma de homenagem.

Após o ato solene, o Promotor de Justiça, Ricardo Paladino, falou sobre ética e democracia.

Assessoria de Imprensa

Deputado Jorginho Mello
(48) 3221-2992"

N.R.: Na verdade a palavra do Doutor Ricardo Paladino foi uma interessante palestra, de improviso, versabdo sobre o tema: "O que você tem a ver com a corrupção?", objetivando estirpar esse mal da política e da vida brasileira, meta prioritária comum do Ministério Público e da Maçonaria, contra a corrupção em todo o Brasil.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

DO SITE "CAROS OUVINTES" (FLORIANÓPOLIS) - ENTREVISTA A ANTUNES SEVERO - (II)

(Sequência - 2)


"Em 1954, a Rádio Difusora de Laguna estava sendo transferida de Nelson Almeida, seu proprietário então exclusivo, para um grupo ligado a um partido político da época. Meu mano Ariovaldo já integrava a equipe.
A emissora possuía mais de 50% da audiência no sul catarinense, contra todas as demais juntas. Somente profissionais reconhecidamente competentes e absolutamente completos como tal, tinham chance de integrar seus quadros.
Padre Agenor me encaminhara e me amadurecera profissionalmente, ao ponto de, ainda no início de carreira, publicar, como artigo de fundo da então prestigiosa revista brasileira “Chácaras e Quintais”, um trabalho meu sobre os vinhedos de Urussanga.
Foi infalível o convite do Ariovaldo para que eu me transferisse imediatamente para Laguna, onde não somente me era aguardada a tarefa radiojornalística, como também a subdireção da emissora, já que ele e o Nelson viajavam muito buscando regularizar a transferência do prefixo da emissora para os novos donos. Em razão disso assumi por muitas vezes e longos períodos a direção geral.
Terminado o ano de 1954, Nelson já havia adquirido a Rádio Araranguá – ZYT-3 – e Ariovaldo recebera uma nomeação federal para o Serviço Nacional do Trigo, transferindo-se para Criciúma, onde faria carreira política.
Desde então e até 1959, não só permaneci, mas aprendi a amar Laguna muito mais que qualquer outra cidade brasileira por onde passara. E essa amor perdura até hoje e cada vez mais caloroso.
No final de 59, no entanto, a Diocese de Tubarão adquiriu os demais 50% das cotas da Rádio Tuba (ficando, como até hoje, proprietária absoluta), o saudoso Ézio Lima, velho e querido colega desde os primeiros tempos da Rádio Eldorado de Criciúma (em 1949), manteve um contato telefônico comigo, sondando a possibilidade de um deslocamento meu até Tubarão, para “conversarmos”.
Meu contrato, em vias de ser renovado em Laguna, foi interrompido. Em Tubarão a proposta não deixava dúvidas: “qual foi o seu maior rendimento até hoje na Difusora de Laguna?”, ao que retruquei; “não tenho precisão, pois tenho um contrato de arrendamento, o que torna meus rendimentos bastante variáveis. Chutei uma importância alta, como parâmetro. Veio a resposta incontestável de uma organização, agora exemplarmente dirigida, para um profissional do ramo: “dobramos seu maior rendimento e você vem para o nosso departamento jornalístico imediatamente”.
Tubarão despontava para um futuro econômico promissor, não somente de seu comércio estabelecido, como a presença de dezenas de investidores e industriais.
Os loteamentos atingiam importância fundamental para a economia e homens de negócios do interior (até Braço do Norte era ainda distrito de Tubarão) investiam pesado em empreendimentos de futuro: transformação de produtos primários, concessionárias de automóveis, empresas especializadas em produtos automotivos, além da economia da então CSN (Companhia Siderúrgica Nacional) de Capivari, depois Sotelca e, finalmente, Eletrosul.
Padre Osny e Padre Raimundo comandavam, em seus respectivos setores, a emissora, com a gerência interna de Ézio Lima, sob a supervisão do próprio Bispo da Diocese, Dom Anselmo Pietrulla (um apaixonado por tudo o que dizia respeito ao desenvolvimento agrícola e pela agroindústria).
Encontramos ainda resquícios de um sistema bastante rudimentar de “fazer rádio”: alguns programas de trovadores sertanejos pela manhã e à noite, coberturas esportivas exclusivas dos então “Ferroviário” e “Hercílio Luz”, um jornal falado onde o “astro” principal era a legendária “Gilette Press”… E pouco mais que isso…
Passada a primeira semana de trabalho árduo de reformulação da programação buscando fazê-la eminentemente voltada ao jornalismo regional e local, Ézio me faz uma oportuna pergunta: “Como está o César (meu mano, que também fora da primeira equipe da Eldorado do final dos anos 40 em diante) lá em Araranguá? Poderias sondar com ele a possibilidade de sua transferência para Tubarão?”
Naquela oportunidade César era cartorário (de órfãos e ausentes) da Comarca, mas estava incompatibilizado com poderosas forças políticas locais. Fui a Araranguá e, de pronto, “faiscou” nos olhos do velho e saudoso mano a decisão de sair – imediatamente – de Araranguá, rumo a Tubarão.
Em menos de quinze dias tínhamos mais um precioso e correto profissional que, com Osvaldo Della Giustina, completaria o “time” de cabeça da velha Rádio Tubá – ZYO-9!
Com os amigos que já tínhamos na cidade, ligados aos profissionais dos meios radiofônicos, César foi recebido festivamente, o que culminou com uma comemoração que se estendeu pela noite, fazendo-nos aturar uma intragável ressaca no dia posterior…

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

CULTURA NÃO ENCHE BARRIGA - OU A IGNORÂNCIA COMO PRATO POLÍTICO

(PELO JORNALISTA ARIOVALDO HUÁSCAAR MACHADO)

A alegação, antes explícita e hoje implícita: cultura não enche barriga. E nem dá voto. É bom ler. O artigo refere-se a Araranguá, terra em que vivemos por décadas e nos viu surgir para a vida profissional - embora nela não tenhamos ficado por muito tempo nesta área. Mas serve para qualquer cidade, de qualquer estado deste país.Os caminhos da culturaDepois de Laguna e Tubarão, Araranguá é o mais antigo município do Sul – Catarinense. Tivemos uma história rica em eventos importantes e vitais na conjuntura dos acontecimentos revolucionários que convulsionaram o Brasil, bem como das transformações sociais e econômicas que mudaram toda a região ao longo do tempo.Infelizmente, o registro e o culto dessas participações, não encontram o apoio que tão bem merecem, mormente dos poderes públicos. Nossa memória é tênue, esgarçada pelo descaso, pela indiferença, pela inconsciência do valor que isso representa no contexto cultural da comunidade. Por desgraça, somos a terra do esquecimento, do olvido, do “não sei”. Por quê? Essa lacuna é uma fatalidade do destino? Certamente que não.Em Araranguá as prioridades são outras. Afirma-se que um dos nossos prefeitos sentenciou: “cultura não enche barriga”! Ah! Que sentença insensata!Se cultura “não enche barriga”, Fechemos as escolas todas, pois é ali que germina a primeira semente da cultura. Fechemos as bibliotecas e queimemos em praça pública (como Hitler o fez) os livros, esses “perniciosos” agentes do saber e da cultura. E voltemos os olhos e os braços para as roças, para as plantações, para a criação de gado e galinhas, pois tudo isso “enche barriga”.A desfaçatez desse conceito salta aos olhos. Rememoremos a história: qual o legado deixado para a civilização ocidental pelos gregos (desde Homero), romanos, egípcios, eurasianos e outros? Se não tivesse existido a prodigiosa geração de intelectuais e artistas como Thales de Mileto, Anaxágoras, Sócrates, Platão, Aristóteles, Fidias, Sófocles, Eurípides, Virgilio, Horácio, Suetônio e centenas de outros, onde se situaria o alicerce do nosso conhecimento?Quem foram os grandes produtores de trigo, cevada, aveia, azeitonas, uvas, do Oriente Médio e da Europa? Ninguém sabe. Seus nomes foram efêmeros na história porque somente urdiam produtos que “enchiam as barrigas”, mas não enchiam os cérebros, não transmitiram idéias, não escreveram as palavras que alimentaram o espírito e a alma das gerações. As idéias, o saber, o exercício de formular a beleza e a sapiência, na pintura, na escultura, na poesia, na literatura, foram produtos permanentes, que povoaram de encantamento a arte, fascínio de centenas de gerações. Somos herdeiros naturais desse soberbo patrimônio, de homens que não produziam nada que “enchesse as barrigas”, mas que enriqueceram essa parte vital da espécie humana que é o cérebro. E, convém dizer aqui: aquele país, aquele estado, aquele município, que não entender isso, é um corpo morto, anódino, vazio, e nada o salvará se não se recuperar desse equívoco, o equívoco de relegar o saber, a história, a cultura, enfim, a um plano de inferioridade que os esmague e, finalmente, os mate.Voltemos ao Araranguá: dentre os prefeitos que tivemos, por uma questão de justiça, vamos abrir uma exceção: o tenente Ruy Stockler de Souza. Governou de 1941 a 1944, portanto por cerca de três anos. Foi eleito? Não. Era daqui? Não.E o Estado Novo governava o País, sob Getúlio Vargas, e seu interventor em Santa Catarina era Nereu Ramos. Tenente Ruy foi nomeado por ele. Transcorria a II Guerra Mundial e existiram, nessa fase, muitos prefeitos militares. Nossa sorte é que esse prefeito, um simples tenente, tinha o mais fecundo dos vícios: lia. Lia bons livros, e sua primeira iniciativa em Araranguá, foi montar uma pequena biblioteca pública em seu próprio gabinete de trabalho. Em seguida, fez mais: construiu, no centro, do jardim “Alcebíades Seara”, uma bem fornida biblioteca pública. No alto dela foi implantado o coreto que existira ali, a rés-do-chão. Em 1943, montou um serviço de alto-falantes, acomodado numa casa que fez construir, também no jardim, sob uma alta torre negra, destinada às cornetas dos alto-falantes. Concomitantemente, mandou fabricar uma pequena emissora de rádio, que tinha a audácia de alcançar Meleiro, Maracajá, etc.Ajardinou todo o costado do rio que acompanha o lado norte-oeste da cidade. Grama, alamedas, bancos de alvenaria, escada desde o alto do barranco até alcançar a água, com seis metros de largura, trabalhada em pedras vermelhas. Onde posteriormente foi instalado o posto de gasolina de André Wendhausen, havia um pequeno jardim, com bancos, árvores, flores. Desde a hoje “Estação Rodoviária”, até às proximidades do “Hospital Bom Pastor”, a margem do rio era também um jardim só. O tenente montou em Araranguá o maior corpo de escoteiros do estado. Construiu sua sede dentro do estádio de futebol, também obra sua. Fez mais: montou o Posto de Defesa Sanitária Animal e o Posto Agropecuário. Pergunto outra vez: o tenente Ruy Stockler de Souza era daqui? Não. Foi eleito? Não.Apesar disso, governou o município, com proficiência, talento, criatividade. Revolucionou o Araranguá em seu tempo. Pois bem. E aí, vamos falar de história, de cultura, de memória popular. Esse homem que tanto realizou, tem uma estátua em Araranguá? Não. Tem um busto? Não. Tem um pequeno obelisco? Não. Tem um tijolo que recorde sua excepcional atuação? Não.Coronel João Fernandes, foi nosso primeiro prefeito, reeleito pela Câmara Municipal diversas vezes, naqueles tempos difíceis. O que registra a cultura sobre sua vida pública? Nada. Em Criciúma, na praça principal da cidade, existe há anos um belo busto de seu primeiro prefeito: Coronel Marcos Rovaris. Há lá também, na mesma praça, uma estátua ao mineiro, símbolo da indústria que primeiro impulsionou o progresso do município: a indústria do carvão.Criciúma, nossa filha, que pertencia a Araranguá, cultua sua história.Nós temos, apenas, um obelisco de marmorite que é dedicado ao nosso herói, da II Guerra Mundial, morto na Itália, Iracy Luchina. Nada mais. E aqui se feriram batalhas e entreveros revolucionários da mais alta expressão: nas proximidades do Morro dos Conventos, durante a “Revolta da Armada” contra Floriano Peixoto, aconteceu um sanguinário encontro entre o exército legalista, comandado pelo Gen. Arthur Oscar, e uma embarcação dos rebeldes da marinha, sob o comando do capitão Perry. Nesse confronto de tão grandes proporções, morreram setenta pessoas, de ambas as facções em luta, ferindo-se, mais de cem soldados e marinheiros. Perguntamos: existe lá algum obelisco que lembre tal odisséia? Não. Não existe sequer um único tijolo que marque esse singular e importante acontecimento.No alto da lomba de Paulo Hann, à beira do rio, travou-se um entrevero a tiros, em 1894, no qual um grupo de araranguaenses, na posse de armas improvisadas, cavou uma trincheira e confrontou um bando de facínoras que pretendia invadir e saquear a cidade.Bernardino de Senna Campos narra esse episódio em seu livro. No local existe um tijolo plantado, que lembre esse acontecimento heróico de defesa de nossa comunidade? Não. Simplesmente não temos memória, não temos passado, não temos história. Nossa cultura é capenga e zarolha. Afinal, dizia aquele infeliz: “cultura não enche barriga”... Por que se preocupar com isso? Lança-se, esporadicamente um livro, ou realiza-se uma exposição pública de obras. Às vezes um conjunto musical ou coral se apresenta no calçadão. Isso é muito pouco e improvisado. Não há uma diretriz nítida, sólida, conseqüente, para o todo da atividade cultural. Tudo parece um somatório desmembrado, fraccionado, disperso. O porquê disso? Não existe um plano global para a cultura, nem sequer projetos específicos concluídos. Faz-se necessário elaborar um “Plano Integral e Integrado de Cultura” que abranja todo o “Vale do Araranguá”. Qual o objetivo disso? Somar esforços e recursos e fazer a integração cultural da região. Turvo, Timbé do Sul, Meleiro, Jacinto Machado, Sombrio, Praia Grande, etc. são filhos do Araranguá, cuja afinidade cultural e socioeconômica é óbvia. Por exemplo: Turvo dispõe de corpos teatrais, corais, conjuntos musicais, etc. E seus caminhos de expansão tornar-se-ão mais amplos, se unidos aos demais municípios do Vale. Nesse caso, a iniciativa privada também precisa ser despertada. A “Lei Rouanet” está aí. Poderá ser estabelecido um fundo comum, público e privado, para viabilizar empreendimentos culturais. Governos federal, estadual e municipais, mais iniciativa privada, gerarão uma imensa linha de força, possibilitando um “plano integral e integrado” para a cultura, permitindo a elaboração de projetos específicos para cada área de atividade. Todos sabemos: sem projeto concluído, não há dinheiro, provindo de parte alguma. Só se investe em projeto pronto, tanto no setor público como no privado. O jornal “DC” publicou há menos de um mês atrás: foram devolvidos ao Governo Federal quarenta e um milhões de reais, por falta de projetos para aplicá-los. Não podemos nos dar ao luxo de repetirmos tal pecado. Finalmente, é indispensável dizer que o trato insuficiente da cultura em Araranguá não é um fato recente. É atávico. Temos uma longa, árdua e penosa tradição nisso. A imensa maioria de nossos governantes, tanto estaduais como municipais, não se identifica com o tema, até porque suas vidas privadas e políticas foram dominadas por interesses e atividades divorciados dele. Politicamente a cultura é pouco sedutora, pois não é uma obra visível e brilhante, que se inaugura com foguetes e banda de música, passível de produzir votos. A cultura é uma atividade praticamente invisível. E muitos, prontamente, a qualificam de elitista. Mas não é. Nem nunca foi. Qualquer criatura, de extração social a mais humilde, poderá se transformar num bom pintor, artista de teatro, escultor, escritor, poeta, músico, artesão, etc. A cultura busca talentos em todas as camadas da população e o seu papel principal é projetar uma pessoa bem dotada, nos seus diversificados escaninhos de ação. Mas, um administrador público que nunca leu um bom livro, por exemplo, só pode subestimar ou não compreender o que é identidade cultural e o seu peso decisivo na formação de uma sociedade consciente, ágil e forte. Volto ao exemplo de Ruy Stockler de Souza: ele lia. Isso fazia a diferença. A cultura para ele era um bem indispensável e imprescindível. O que esperar daqueles que não se dão ao trabalho de ler? Muito pouco, porque é de sua caneta que saem os recursos que são injetados na veia da cultura. Por melhores que sejam os auxiliares, sua força é limitada à vontade do chefe. Por tudo isso, as perspectivas não são especialmente promissoras para todos nós. Mesmo sendo repetitivo: “Projeto Integral e Integrado de Cultura” para o Araranguá. Tal plano estabeleceria o diagnóstico atual e completo de cada setor, isto é, aquilo de que dispomos agora, em termos de atividades teatrais, musicais, danças, corais, folclore, tradições, artesanato; e mais: livros editados e em elaboração, exposições, eventos e datas históricas programadas e a programar, lugares de significação, por terem sido palco de acontecimentos relevantes de nossa história; tudo isso no sentido de dar-lhes o merecido destaque e a devida homenagem. Ressaltar os métodos e meios de se lhes proporcionar apoio público e privado, quantificando os recursos necessários, ano a ano, ao longo do tempo futuro, no objetivo de fazê-los desenvolver e ampliar. Montar os projetos viáveis, capazes de atrair financiamentos de qualquer origem.Repetimos: sem projeto pronto de cada reivindicação, não se torna possível conseguir recursos financeiros, necessários a dar-lhe corpo.Seria bom que entendessem isso, definitivamente. E finalmente: se a caneta de cima não funcionar, nada será alcançado. Ponto final.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

DO SITE "CAROS OUVINTES", DE FLORIANÓPOLIS

(Publicado
por
Antunes Severo
em Astros e Estrelas, Fotos, Gente e Rádio)



Quem é Agilmar Machado
21/09/09

Dos desafios que tenho lançado nesses seis anos de Caros Ouvintes, muitos têm encontrado eco e produzido resultados que se traduziram em matérias que até hoje continuam sendo acessadas. Hoje, com muita alegria apresento o depoimento de um dos predecessores do radiojornalismo em Santa Catarina, com particular e marcante passagem por várias emissoras do sul do Estado. Agilmar, metódico e cuidadoso, começa anotando o detalhe do questionário que lhe enviei: 1ª. Parte da 2ª pergunta:

“O profissional da comunicação”


- Tenho a dizer duas coisas, abrindo essa segunda etapa do nosso papo, caro Severo.
A primeira: tenho imensa saudade do meu início profissional, dos dias antigos da Criciúma de ontem, muito diferente da cidade maluca que conhecemos hoje. Às vezes relaciono, na memória, aqueles que comigo conviveram naqueles belos tempos. Belos, apesar das agruras decorrentes do dinheiro curto e do trabalho responsável, bem orientado pelo mano Ariovaldo, e colhendo – como padrão – os exemplos de profissionais que já estavam há muitos anos “na estrada”, como meu saudoso mano César, os também saudosos, Carlinhos Lacombe, Sílvio Bittencourt, Sebastião Pieri, Gandréa Netto (pseudônimo de um inteligente Pastor protestante); de pessoas simples como Darci Antonelli e Aristides Madeira (ambos operadores de áudio, na época, “controles de som”). O primeiro foi também discotecário de rara sensibilidade para aqueles tempos: antes de programar cada música (78rpm), a ouvia atentamente, objetivando observar se o disco estava perfeito e era apropriado para o horário aprazado.

A segunda: é ter experimentado, no rádio, a fase que sucedeu o primeiro receptor que se conhece, a “galena” (apenas um transformador que emitia voz em sua vibração, como os velhos transmissores de ondas médias), e na imprensa, o período imediatamente posterior ao “prelo”, ou “prensa”, onde eram impressas, uma a uma e manualmente, as páginas dos jornais. Alcancei, no entanto, a máquina impressora manual e a de pedal.
O interior não tinha o privilégio, ainda, de máquinas impressoras elétricas. Na sucessão dos nossos 60 anos de labor na imprensa e no radiojornalismo, passamos dessa fase para as impressoras elétricas, com seu operador – após montada e posta na calandra a “chapa”, imprimia uma página por vez.

Bem, logo depois, já devidamente “iniciado” na vida prática, meu espírito libertário almejou outros vôos, mais altos, mais ousados, embora – de certa forma – incertos para os meus recém completados 17 anos de então. Um dos mais fabulosos e inteligentes homens que conheci na vida profissional, ao, ouvir-me, na Eldorado, não titubeou em falar com o mano Ariovaldo almejando conseguir minha transferência para a Rádio Difusora de Urussanga (hoje Marconi), ainda por instalar.

Aprendi muito com o então Padre Agenor (depois Cônego e, mais tarde, Monsenhor) Mesmo sabendo-me não muito “chegado” a qualquer princípio religioso, não abriu mão da minha contratação, celebrando um contrato que me levaria à pacata Urussanga. Papai assinou meu contrato, pois eu ainda era de menoridade. A rádio estava ainda em fase de montagem, mas, mesmo assim, para garantir meu concurso, fui contratado.

Assisti – desde os primórdios – a instalação da emissora.

Para isso veio a Urussanga o engenheiro Sidney Moratto, proprietário da Elmo – Eletrônica Moratto -, de São Paulo, permanecendo ali até os testes finais da emissora e sua aferição pela ZZP-2.
Permaneci ali por quase três anos.

Depois de 50 anos (em 2002) quando foi comemorado o cinqüentenário de fundação da emissora, fui convidado especial e lá estive. Senti retornar ao passado distante. Um bolo de 50 metros, sobre uma mesa de igual dimensão, se alongava na Praça Anita Garibaldi, onde estava instalado o palanque oficial.

Por razões que não perguntei, Padre Agenor não estava presente. Tão logo terminou a cerimônia, segui direto para os aposentos do velho cura, já numa cadeira de rodas, em seu pequeno escritório, dedicado aos seus livros e também defendendo teses sobre apicultura, sua paixão antiga.

Seriam 18h30 e às 19h00 haveria uma novena em sua capela particular (na própria casa, antiga “Casa da Menina” por ele fundada). Com o carinho com que ele (e seus pais saudosos) sempre me dispensaram, sentenciou: “Meu filho, quero que estejas na novena de hoje, na primeira fila. Tenho um segredo de 50 anos para te contar em público (esse “público” fiel eram os que conheciam toda a história da Rádio Difusora e a minha todos de avançada idade)”. Como negar? Acatei o convite, porém, sob condição: “Padre Agenor, estarei na sua novena, mas o senhor terá que ir andando, amparado em meu ombro, até ao altar”!

A emoção tomou conta de seu semblante. Homem decidido que sempre foi, mesmo alegando fazer alguns anos que não se levantava daquela cadeira, para andar, retrucou-me: “Você venceu a “parada. Se me deixar cair “vou te processar”, brincou.

A cena foi assistida por pessoas que cuidavam dele e as levou às lágrimas. O padre, auxiliado, aos poucos foi desdobrando as pernas atrofiadas e, apoiado no meu ombro, deu alguns vagarosos passos, dizendo: “acho que podemos tentar chegar à capela…”. E chegou!

Uma cadeira o esperava no altar. Ele sentou. A novena começou e foi chegado o momento mais emocionante do ato litúrgico que, no final, foi motivo de júbilo para todos os presentes, quando Padre Agenor disse: ”Está nesta capela hoje, dia do aniversário de 50 anos da antiga Rádio Difusora de Urussanga, uma pessoa que tenho como se fosse meu filho. Uma pessoa cuja maviosidade de voz impressionou-me tanto, mesmo antes de inaugurar a rádio, o “slogan” que já vinha sendo difundido através do alto-falante da Igreja e nas missas, teve que ser acrescido com a sua chegada: de “A voz da terra dos vinhedos”, para, “A voz DE VELUDO da terra dos vinhedos”.

Este hoje renomado jornalista e literato, membro de uma academia de letras e possuidor de uma carreira inigualável na imprensa, está sentado na primeira fila. Mesmo sabendo-o meio “rebelde” com a Igreja, ele virá a este altar ler um trecho do jornal “Domingo”.
E caçoou: “sua voz pode não estar tão maviosa como há 50 anos, mas, tenho certeza, mesmo meio “arranhada” (sic), faz inveja a muitos locutores de hoje”.

Havia cerca de 100 fiéis na capela. A emoção foi geral. Um coro infantil veio homenagear-me com duas belas canções. Foi organizada uma fila (na capela) para me abraçar e cumprimentar. Abracei-me ao bondoso cura, sem conseguir conter as lágrimas. Nem ele. O ato ultrapassou o meu poder de conter emoções e a natural frieza do profissional de velha tarimba…

(Publicado
por
Antunes Severo
em Astros e Estrelas, Fotos, Gente e Rádio)