sábado, 10 de outubro de 2009

"DIA DO MAÇOM" - ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DE SC HOMENAGEIA

Em razão da incidência da "gripe A" durante todo o último mês de agosto/2009, o DIA DO MAÇOM (20/08) foi comemorado somente no dia 30 de setembro de 2009.

O evento principal teve lugar no auditório Deputada Antonieta de Barros, na ALESC, com a presença de cerca de 500 maçons das três Potências (GOB-SC, GOSC e GLSC) oriundos de todo o Estado de Santa Catarina.

Após a concorrida cerimônia, o Presidente daque Casa, deputado e Maçom, Jorginho Mello, distribuiu às Lojas Maçônicas do Estado e aos principais e mais conceituados órgãos de imprensa de Santa Catarina, a seguinte nota oficial:

"PRESIDENTE DEPUTADO JORGINHO MELLO CONDUZ ATO SOLENE EM HOMENAGEM AO "DIA DO MAÇOM"

Instituido pela lei estadual n. 13.461/05, de autoria do deputado Jorginho Mello, o Dia do Maçom é comemorado em 20 de agosto, data também celebrada nacionalmente, escolhida por ser neste dia que a Independência do Brasil foi "proclamada" por Gonçalves Ledo, em reunião da Loja Maçônica Arte e Comércio, no Rio de Janeiro, em 1822.

Para homenagear o Dia do Maçom, no noite de ontem (30) foi realizado um ato solene, conduzido pelo presidente Jorginho Mello, no auditório Deputada Antonieta de Barros, que contou com a presença de maçons de do estado todo, seus familiares e amigos.

A importância da realização de um ato solene para homenagear o Dia do Maçom foi destacada pelo presidente Jorginho Mello.

"A Maçonaria contribuiu e influenciou episódios importantes da história do pais,a participação consciente com o ideal de igualdade, liberdade e fraternidade, continua a fazer eco até os dias atuais. Nas mais diversas manifestações em favor do ser humano em sociedade".

Durante a solenidade foram entreguas obras elaboradas pelo Centro de Memória, coordenado por Thessália May Rodrigues, que reuniu todos os documentos sobre a Maçonaria no estado. As obras foram entregues aos três Grão-Mestres maçônicos de Santa Catarina, como forma de homenagem.

Após o ato solene, o Promotor de Justiça, Ricardo Paladino, falou sobre ética e democracia.

Assessoria de Imprensa

Deputado Jorginho Mello
(48) 3221-2992"

N.R.: Na verdade a palavra do Doutor Ricardo Paladino foi uma interessante palestra, de improviso, versabdo sobre o tema: "O que você tem a ver com a corrupção?", objetivando estirpar esse mal da política e da vida brasileira, meta prioritária comum do Ministério Público e da Maçonaria, contra a corrupção em todo o Brasil.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

DO SITE "CAROS OUVINTES" (FLORIANÓPOLIS) - ENTREVISTA A ANTUNES SEVERO - (II)

(Sequência - 2)


"Em 1954, a Rádio Difusora de Laguna estava sendo transferida de Nelson Almeida, seu proprietário então exclusivo, para um grupo ligado a um partido político da época. Meu mano Ariovaldo já integrava a equipe.
A emissora possuía mais de 50% da audiência no sul catarinense, contra todas as demais juntas. Somente profissionais reconhecidamente competentes e absolutamente completos como tal, tinham chance de integrar seus quadros.
Padre Agenor me encaminhara e me amadurecera profissionalmente, ao ponto de, ainda no início de carreira, publicar, como artigo de fundo da então prestigiosa revista brasileira “Chácaras e Quintais”, um trabalho meu sobre os vinhedos de Urussanga.
Foi infalível o convite do Ariovaldo para que eu me transferisse imediatamente para Laguna, onde não somente me era aguardada a tarefa radiojornalística, como também a subdireção da emissora, já que ele e o Nelson viajavam muito buscando regularizar a transferência do prefixo da emissora para os novos donos. Em razão disso assumi por muitas vezes e longos períodos a direção geral.
Terminado o ano de 1954, Nelson já havia adquirido a Rádio Araranguá – ZYT-3 – e Ariovaldo recebera uma nomeação federal para o Serviço Nacional do Trigo, transferindo-se para Criciúma, onde faria carreira política.
Desde então e até 1959, não só permaneci, mas aprendi a amar Laguna muito mais que qualquer outra cidade brasileira por onde passara. E essa amor perdura até hoje e cada vez mais caloroso.
No final de 59, no entanto, a Diocese de Tubarão adquiriu os demais 50% das cotas da Rádio Tuba (ficando, como até hoje, proprietária absoluta), o saudoso Ézio Lima, velho e querido colega desde os primeiros tempos da Rádio Eldorado de Criciúma (em 1949), manteve um contato telefônico comigo, sondando a possibilidade de um deslocamento meu até Tubarão, para “conversarmos”.
Meu contrato, em vias de ser renovado em Laguna, foi interrompido. Em Tubarão a proposta não deixava dúvidas: “qual foi o seu maior rendimento até hoje na Difusora de Laguna?”, ao que retruquei; “não tenho precisão, pois tenho um contrato de arrendamento, o que torna meus rendimentos bastante variáveis. Chutei uma importância alta, como parâmetro. Veio a resposta incontestável de uma organização, agora exemplarmente dirigida, para um profissional do ramo: “dobramos seu maior rendimento e você vem para o nosso departamento jornalístico imediatamente”.
Tubarão despontava para um futuro econômico promissor, não somente de seu comércio estabelecido, como a presença de dezenas de investidores e industriais.
Os loteamentos atingiam importância fundamental para a economia e homens de negócios do interior (até Braço do Norte era ainda distrito de Tubarão) investiam pesado em empreendimentos de futuro: transformação de produtos primários, concessionárias de automóveis, empresas especializadas em produtos automotivos, além da economia da então CSN (Companhia Siderúrgica Nacional) de Capivari, depois Sotelca e, finalmente, Eletrosul.
Padre Osny e Padre Raimundo comandavam, em seus respectivos setores, a emissora, com a gerência interna de Ézio Lima, sob a supervisão do próprio Bispo da Diocese, Dom Anselmo Pietrulla (um apaixonado por tudo o que dizia respeito ao desenvolvimento agrícola e pela agroindústria).
Encontramos ainda resquícios de um sistema bastante rudimentar de “fazer rádio”: alguns programas de trovadores sertanejos pela manhã e à noite, coberturas esportivas exclusivas dos então “Ferroviário” e “Hercílio Luz”, um jornal falado onde o “astro” principal era a legendária “Gilette Press”… E pouco mais que isso…
Passada a primeira semana de trabalho árduo de reformulação da programação buscando fazê-la eminentemente voltada ao jornalismo regional e local, Ézio me faz uma oportuna pergunta: “Como está o César (meu mano, que também fora da primeira equipe da Eldorado do final dos anos 40 em diante) lá em Araranguá? Poderias sondar com ele a possibilidade de sua transferência para Tubarão?”
Naquela oportunidade César era cartorário (de órfãos e ausentes) da Comarca, mas estava incompatibilizado com poderosas forças políticas locais. Fui a Araranguá e, de pronto, “faiscou” nos olhos do velho e saudoso mano a decisão de sair – imediatamente – de Araranguá, rumo a Tubarão.
Em menos de quinze dias tínhamos mais um precioso e correto profissional que, com Osvaldo Della Giustina, completaria o “time” de cabeça da velha Rádio Tubá – ZYO-9!
Com os amigos que já tínhamos na cidade, ligados aos profissionais dos meios radiofônicos, César foi recebido festivamente, o que culminou com uma comemoração que se estendeu pela noite, fazendo-nos aturar uma intragável ressaca no dia posterior…

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

CULTURA NÃO ENCHE BARRIGA - OU A IGNORÂNCIA COMO PRATO POLÍTICO

(PELO JORNALISTA ARIOVALDO HUÁSCAAR MACHADO)

A alegação, antes explícita e hoje implícita: cultura não enche barriga. E nem dá voto. É bom ler. O artigo refere-se a Araranguá, terra em que vivemos por décadas e nos viu surgir para a vida profissional - embora nela não tenhamos ficado por muito tempo nesta área. Mas serve para qualquer cidade, de qualquer estado deste país.Os caminhos da culturaDepois de Laguna e Tubarão, Araranguá é o mais antigo município do Sul – Catarinense. Tivemos uma história rica em eventos importantes e vitais na conjuntura dos acontecimentos revolucionários que convulsionaram o Brasil, bem como das transformações sociais e econômicas que mudaram toda a região ao longo do tempo.Infelizmente, o registro e o culto dessas participações, não encontram o apoio que tão bem merecem, mormente dos poderes públicos. Nossa memória é tênue, esgarçada pelo descaso, pela indiferença, pela inconsciência do valor que isso representa no contexto cultural da comunidade. Por desgraça, somos a terra do esquecimento, do olvido, do “não sei”. Por quê? Essa lacuna é uma fatalidade do destino? Certamente que não.Em Araranguá as prioridades são outras. Afirma-se que um dos nossos prefeitos sentenciou: “cultura não enche barriga”! Ah! Que sentença insensata!Se cultura “não enche barriga”, Fechemos as escolas todas, pois é ali que germina a primeira semente da cultura. Fechemos as bibliotecas e queimemos em praça pública (como Hitler o fez) os livros, esses “perniciosos” agentes do saber e da cultura. E voltemos os olhos e os braços para as roças, para as plantações, para a criação de gado e galinhas, pois tudo isso “enche barriga”.A desfaçatez desse conceito salta aos olhos. Rememoremos a história: qual o legado deixado para a civilização ocidental pelos gregos (desde Homero), romanos, egípcios, eurasianos e outros? Se não tivesse existido a prodigiosa geração de intelectuais e artistas como Thales de Mileto, Anaxágoras, Sócrates, Platão, Aristóteles, Fidias, Sófocles, Eurípides, Virgilio, Horácio, Suetônio e centenas de outros, onde se situaria o alicerce do nosso conhecimento?Quem foram os grandes produtores de trigo, cevada, aveia, azeitonas, uvas, do Oriente Médio e da Europa? Ninguém sabe. Seus nomes foram efêmeros na história porque somente urdiam produtos que “enchiam as barrigas”, mas não enchiam os cérebros, não transmitiram idéias, não escreveram as palavras que alimentaram o espírito e a alma das gerações. As idéias, o saber, o exercício de formular a beleza e a sapiência, na pintura, na escultura, na poesia, na literatura, foram produtos permanentes, que povoaram de encantamento a arte, fascínio de centenas de gerações. Somos herdeiros naturais desse soberbo patrimônio, de homens que não produziam nada que “enchesse as barrigas”, mas que enriqueceram essa parte vital da espécie humana que é o cérebro. E, convém dizer aqui: aquele país, aquele estado, aquele município, que não entender isso, é um corpo morto, anódino, vazio, e nada o salvará se não se recuperar desse equívoco, o equívoco de relegar o saber, a história, a cultura, enfim, a um plano de inferioridade que os esmague e, finalmente, os mate.Voltemos ao Araranguá: dentre os prefeitos que tivemos, por uma questão de justiça, vamos abrir uma exceção: o tenente Ruy Stockler de Souza. Governou de 1941 a 1944, portanto por cerca de três anos. Foi eleito? Não. Era daqui? Não.E o Estado Novo governava o País, sob Getúlio Vargas, e seu interventor em Santa Catarina era Nereu Ramos. Tenente Ruy foi nomeado por ele. Transcorria a II Guerra Mundial e existiram, nessa fase, muitos prefeitos militares. Nossa sorte é que esse prefeito, um simples tenente, tinha o mais fecundo dos vícios: lia. Lia bons livros, e sua primeira iniciativa em Araranguá, foi montar uma pequena biblioteca pública em seu próprio gabinete de trabalho. Em seguida, fez mais: construiu, no centro, do jardim “Alcebíades Seara”, uma bem fornida biblioteca pública. No alto dela foi implantado o coreto que existira ali, a rés-do-chão. Em 1943, montou um serviço de alto-falantes, acomodado numa casa que fez construir, também no jardim, sob uma alta torre negra, destinada às cornetas dos alto-falantes. Concomitantemente, mandou fabricar uma pequena emissora de rádio, que tinha a audácia de alcançar Meleiro, Maracajá, etc.Ajardinou todo o costado do rio que acompanha o lado norte-oeste da cidade. Grama, alamedas, bancos de alvenaria, escada desde o alto do barranco até alcançar a água, com seis metros de largura, trabalhada em pedras vermelhas. Onde posteriormente foi instalado o posto de gasolina de André Wendhausen, havia um pequeno jardim, com bancos, árvores, flores. Desde a hoje “Estação Rodoviária”, até às proximidades do “Hospital Bom Pastor”, a margem do rio era também um jardim só. O tenente montou em Araranguá o maior corpo de escoteiros do estado. Construiu sua sede dentro do estádio de futebol, também obra sua. Fez mais: montou o Posto de Defesa Sanitária Animal e o Posto Agropecuário. Pergunto outra vez: o tenente Ruy Stockler de Souza era daqui? Não. Foi eleito? Não.Apesar disso, governou o município, com proficiência, talento, criatividade. Revolucionou o Araranguá em seu tempo. Pois bem. E aí, vamos falar de história, de cultura, de memória popular. Esse homem que tanto realizou, tem uma estátua em Araranguá? Não. Tem um busto? Não. Tem um pequeno obelisco? Não. Tem um tijolo que recorde sua excepcional atuação? Não.Coronel João Fernandes, foi nosso primeiro prefeito, reeleito pela Câmara Municipal diversas vezes, naqueles tempos difíceis. O que registra a cultura sobre sua vida pública? Nada. Em Criciúma, na praça principal da cidade, existe há anos um belo busto de seu primeiro prefeito: Coronel Marcos Rovaris. Há lá também, na mesma praça, uma estátua ao mineiro, símbolo da indústria que primeiro impulsionou o progresso do município: a indústria do carvão.Criciúma, nossa filha, que pertencia a Araranguá, cultua sua história.Nós temos, apenas, um obelisco de marmorite que é dedicado ao nosso herói, da II Guerra Mundial, morto na Itália, Iracy Luchina. Nada mais. E aqui se feriram batalhas e entreveros revolucionários da mais alta expressão: nas proximidades do Morro dos Conventos, durante a “Revolta da Armada” contra Floriano Peixoto, aconteceu um sanguinário encontro entre o exército legalista, comandado pelo Gen. Arthur Oscar, e uma embarcação dos rebeldes da marinha, sob o comando do capitão Perry. Nesse confronto de tão grandes proporções, morreram setenta pessoas, de ambas as facções em luta, ferindo-se, mais de cem soldados e marinheiros. Perguntamos: existe lá algum obelisco que lembre tal odisséia? Não. Não existe sequer um único tijolo que marque esse singular e importante acontecimento.No alto da lomba de Paulo Hann, à beira do rio, travou-se um entrevero a tiros, em 1894, no qual um grupo de araranguaenses, na posse de armas improvisadas, cavou uma trincheira e confrontou um bando de facínoras que pretendia invadir e saquear a cidade.Bernardino de Senna Campos narra esse episódio em seu livro. No local existe um tijolo plantado, que lembre esse acontecimento heróico de defesa de nossa comunidade? Não. Simplesmente não temos memória, não temos passado, não temos história. Nossa cultura é capenga e zarolha. Afinal, dizia aquele infeliz: “cultura não enche barriga”... Por que se preocupar com isso? Lança-se, esporadicamente um livro, ou realiza-se uma exposição pública de obras. Às vezes um conjunto musical ou coral se apresenta no calçadão. Isso é muito pouco e improvisado. Não há uma diretriz nítida, sólida, conseqüente, para o todo da atividade cultural. Tudo parece um somatório desmembrado, fraccionado, disperso. O porquê disso? Não existe um plano global para a cultura, nem sequer projetos específicos concluídos. Faz-se necessário elaborar um “Plano Integral e Integrado de Cultura” que abranja todo o “Vale do Araranguá”. Qual o objetivo disso? Somar esforços e recursos e fazer a integração cultural da região. Turvo, Timbé do Sul, Meleiro, Jacinto Machado, Sombrio, Praia Grande, etc. são filhos do Araranguá, cuja afinidade cultural e socioeconômica é óbvia. Por exemplo: Turvo dispõe de corpos teatrais, corais, conjuntos musicais, etc. E seus caminhos de expansão tornar-se-ão mais amplos, se unidos aos demais municípios do Vale. Nesse caso, a iniciativa privada também precisa ser despertada. A “Lei Rouanet” está aí. Poderá ser estabelecido um fundo comum, público e privado, para viabilizar empreendimentos culturais. Governos federal, estadual e municipais, mais iniciativa privada, gerarão uma imensa linha de força, possibilitando um “plano integral e integrado” para a cultura, permitindo a elaboração de projetos específicos para cada área de atividade. Todos sabemos: sem projeto concluído, não há dinheiro, provindo de parte alguma. Só se investe em projeto pronto, tanto no setor público como no privado. O jornal “DC” publicou há menos de um mês atrás: foram devolvidos ao Governo Federal quarenta e um milhões de reais, por falta de projetos para aplicá-los. Não podemos nos dar ao luxo de repetirmos tal pecado. Finalmente, é indispensável dizer que o trato insuficiente da cultura em Araranguá não é um fato recente. É atávico. Temos uma longa, árdua e penosa tradição nisso. A imensa maioria de nossos governantes, tanto estaduais como municipais, não se identifica com o tema, até porque suas vidas privadas e políticas foram dominadas por interesses e atividades divorciados dele. Politicamente a cultura é pouco sedutora, pois não é uma obra visível e brilhante, que se inaugura com foguetes e banda de música, passível de produzir votos. A cultura é uma atividade praticamente invisível. E muitos, prontamente, a qualificam de elitista. Mas não é. Nem nunca foi. Qualquer criatura, de extração social a mais humilde, poderá se transformar num bom pintor, artista de teatro, escultor, escritor, poeta, músico, artesão, etc. A cultura busca talentos em todas as camadas da população e o seu papel principal é projetar uma pessoa bem dotada, nos seus diversificados escaninhos de ação. Mas, um administrador público que nunca leu um bom livro, por exemplo, só pode subestimar ou não compreender o que é identidade cultural e o seu peso decisivo na formação de uma sociedade consciente, ágil e forte. Volto ao exemplo de Ruy Stockler de Souza: ele lia. Isso fazia a diferença. A cultura para ele era um bem indispensável e imprescindível. O que esperar daqueles que não se dão ao trabalho de ler? Muito pouco, porque é de sua caneta que saem os recursos que são injetados na veia da cultura. Por melhores que sejam os auxiliares, sua força é limitada à vontade do chefe. Por tudo isso, as perspectivas não são especialmente promissoras para todos nós. Mesmo sendo repetitivo: “Projeto Integral e Integrado de Cultura” para o Araranguá. Tal plano estabeleceria o diagnóstico atual e completo de cada setor, isto é, aquilo de que dispomos agora, em termos de atividades teatrais, musicais, danças, corais, folclore, tradições, artesanato; e mais: livros editados e em elaboração, exposições, eventos e datas históricas programadas e a programar, lugares de significação, por terem sido palco de acontecimentos relevantes de nossa história; tudo isso no sentido de dar-lhes o merecido destaque e a devida homenagem. Ressaltar os métodos e meios de se lhes proporcionar apoio público e privado, quantificando os recursos necessários, ano a ano, ao longo do tempo futuro, no objetivo de fazê-los desenvolver e ampliar. Montar os projetos viáveis, capazes de atrair financiamentos de qualquer origem.Repetimos: sem projeto pronto de cada reivindicação, não se torna possível conseguir recursos financeiros, necessários a dar-lhe corpo.Seria bom que entendessem isso, definitivamente. E finalmente: se a caneta de cima não funcionar, nada será alcançado. Ponto final.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

DO SITE "CAROS OUVINTES", DE FLORIANÓPOLIS

(Publicado
por
Antunes Severo
em Astros e Estrelas, Fotos, Gente e Rádio)



Quem é Agilmar Machado
21/09/09

Dos desafios que tenho lançado nesses seis anos de Caros Ouvintes, muitos têm encontrado eco e produzido resultados que se traduziram em matérias que até hoje continuam sendo acessadas. Hoje, com muita alegria apresento o depoimento de um dos predecessores do radiojornalismo em Santa Catarina, com particular e marcante passagem por várias emissoras do sul do Estado. Agilmar, metódico e cuidadoso, começa anotando o detalhe do questionário que lhe enviei: 1ª. Parte da 2ª pergunta:

“O profissional da comunicação”


- Tenho a dizer duas coisas, abrindo essa segunda etapa do nosso papo, caro Severo.
A primeira: tenho imensa saudade do meu início profissional, dos dias antigos da Criciúma de ontem, muito diferente da cidade maluca que conhecemos hoje. Às vezes relaciono, na memória, aqueles que comigo conviveram naqueles belos tempos. Belos, apesar das agruras decorrentes do dinheiro curto e do trabalho responsável, bem orientado pelo mano Ariovaldo, e colhendo – como padrão – os exemplos de profissionais que já estavam há muitos anos “na estrada”, como meu saudoso mano César, os também saudosos, Carlinhos Lacombe, Sílvio Bittencourt, Sebastião Pieri, Gandréa Netto (pseudônimo de um inteligente Pastor protestante); de pessoas simples como Darci Antonelli e Aristides Madeira (ambos operadores de áudio, na época, “controles de som”). O primeiro foi também discotecário de rara sensibilidade para aqueles tempos: antes de programar cada música (78rpm), a ouvia atentamente, objetivando observar se o disco estava perfeito e era apropriado para o horário aprazado.

A segunda: é ter experimentado, no rádio, a fase que sucedeu o primeiro receptor que se conhece, a “galena” (apenas um transformador que emitia voz em sua vibração, como os velhos transmissores de ondas médias), e na imprensa, o período imediatamente posterior ao “prelo”, ou “prensa”, onde eram impressas, uma a uma e manualmente, as páginas dos jornais. Alcancei, no entanto, a máquina impressora manual e a de pedal.
O interior não tinha o privilégio, ainda, de máquinas impressoras elétricas. Na sucessão dos nossos 60 anos de labor na imprensa e no radiojornalismo, passamos dessa fase para as impressoras elétricas, com seu operador – após montada e posta na calandra a “chapa”, imprimia uma página por vez.

Bem, logo depois, já devidamente “iniciado” na vida prática, meu espírito libertário almejou outros vôos, mais altos, mais ousados, embora – de certa forma – incertos para os meus recém completados 17 anos de então. Um dos mais fabulosos e inteligentes homens que conheci na vida profissional, ao, ouvir-me, na Eldorado, não titubeou em falar com o mano Ariovaldo almejando conseguir minha transferência para a Rádio Difusora de Urussanga (hoje Marconi), ainda por instalar.

Aprendi muito com o então Padre Agenor (depois Cônego e, mais tarde, Monsenhor) Mesmo sabendo-me não muito “chegado” a qualquer princípio religioso, não abriu mão da minha contratação, celebrando um contrato que me levaria à pacata Urussanga. Papai assinou meu contrato, pois eu ainda era de menoridade. A rádio estava ainda em fase de montagem, mas, mesmo assim, para garantir meu concurso, fui contratado.

Assisti – desde os primórdios – a instalação da emissora.

Para isso veio a Urussanga o engenheiro Sidney Moratto, proprietário da Elmo – Eletrônica Moratto -, de São Paulo, permanecendo ali até os testes finais da emissora e sua aferição pela ZZP-2.
Permaneci ali por quase três anos.

Depois de 50 anos (em 2002) quando foi comemorado o cinqüentenário de fundação da emissora, fui convidado especial e lá estive. Senti retornar ao passado distante. Um bolo de 50 metros, sobre uma mesa de igual dimensão, se alongava na Praça Anita Garibaldi, onde estava instalado o palanque oficial.

Por razões que não perguntei, Padre Agenor não estava presente. Tão logo terminou a cerimônia, segui direto para os aposentos do velho cura, já numa cadeira de rodas, em seu pequeno escritório, dedicado aos seus livros e também defendendo teses sobre apicultura, sua paixão antiga.

Seriam 18h30 e às 19h00 haveria uma novena em sua capela particular (na própria casa, antiga “Casa da Menina” por ele fundada). Com o carinho com que ele (e seus pais saudosos) sempre me dispensaram, sentenciou: “Meu filho, quero que estejas na novena de hoje, na primeira fila. Tenho um segredo de 50 anos para te contar em público (esse “público” fiel eram os que conheciam toda a história da Rádio Difusora e a minha todos de avançada idade)”. Como negar? Acatei o convite, porém, sob condição: “Padre Agenor, estarei na sua novena, mas o senhor terá que ir andando, amparado em meu ombro, até ao altar”!

A emoção tomou conta de seu semblante. Homem decidido que sempre foi, mesmo alegando fazer alguns anos que não se levantava daquela cadeira, para andar, retrucou-me: “Você venceu a “parada. Se me deixar cair “vou te processar”, brincou.

A cena foi assistida por pessoas que cuidavam dele e as levou às lágrimas. O padre, auxiliado, aos poucos foi desdobrando as pernas atrofiadas e, apoiado no meu ombro, deu alguns vagarosos passos, dizendo: “acho que podemos tentar chegar à capela…”. E chegou!

Uma cadeira o esperava no altar. Ele sentou. A novena começou e foi chegado o momento mais emocionante do ato litúrgico que, no final, foi motivo de júbilo para todos os presentes, quando Padre Agenor disse: ”Está nesta capela hoje, dia do aniversário de 50 anos da antiga Rádio Difusora de Urussanga, uma pessoa que tenho como se fosse meu filho. Uma pessoa cuja maviosidade de voz impressionou-me tanto, mesmo antes de inaugurar a rádio, o “slogan” que já vinha sendo difundido através do alto-falante da Igreja e nas missas, teve que ser acrescido com a sua chegada: de “A voz da terra dos vinhedos”, para, “A voz DE VELUDO da terra dos vinhedos”.

Este hoje renomado jornalista e literato, membro de uma academia de letras e possuidor de uma carreira inigualável na imprensa, está sentado na primeira fila. Mesmo sabendo-o meio “rebelde” com a Igreja, ele virá a este altar ler um trecho do jornal “Domingo”.
E caçoou: “sua voz pode não estar tão maviosa como há 50 anos, mas, tenho certeza, mesmo meio “arranhada” (sic), faz inveja a muitos locutores de hoje”.

Havia cerca de 100 fiéis na capela. A emoção foi geral. Um coro infantil veio homenagear-me com duas belas canções. Foi organizada uma fila (na capela) para me abraçar e cumprimentar. Abracei-me ao bondoso cura, sem conseguir conter as lágrimas. Nem ele. O ato ultrapassou o meu poder de conter emoções e a natural frieza do profissional de velha tarimba…

(Publicado
por
Antunes Severo
em Astros e Estrelas, Fotos, Gente e Rádio)

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

À MEMÓRIA DE NELSON ALMEIDA (FINAL)

Não seria em apenas quatro comentários que se ousaria resgatar a legendária passagem de Nelson Almeida pelo rádio catarinense. Seu caminho foi muito mais longo, sua vida propiciou ensinamentos a muitos iniciantes em rádio, sempre com absoluta correção e competência.
Nelson foi um homem peculiar. Como empreendedor, esteve em três etapas distintas na área da comunicação radiofônica: Rádio Difusora de Laguna, Rádio Araranguá e Rádio Anita Garibaldi, esta, de Florianópolis.
Mas o que se constatou é que, após afastar-se de seu grande triunfo que foi a Rádio Difusora de Laguna, seu entusiasmo foi, aos poucos, arrefecendo.
Sempre tive a impressão de que ele jamais deveria ter deixado a primeira emissora, cuja instalação e manutenção contaram com amigos fiéis e pela qual ele alimentava incontestável orgulho.
Nelson, após vender a Rádio Difusora de Laguna, permaneceu ainda algum tempo providenciando sua transferência para Araranguá, onde já conseguira comprar quase 50% das quotas da ZYT-3 (uma modificação nos estatutos lhe proporcionaria a titularidade da emissora).
Já não foi mais o mesmo. Seguia como sócio da rádio, dificilmente ocupava o microfone. Confiava a gerência comercial ao locutor Asty Pereira; o jornalismo, a Osmar Cook e, posteriormente, a César Machado.
Ingressou no ramo imobiliário adquirindo, com um grupo local, ampla área destinada a um condomínio residencial. Líder nato (e absoluto), não se deu bem tendo de ouvir opiniões de sócios que nem sempre coincidiam com as dele.
Vendeu não somente suas quotas na rádio, como também no empreendimento imobiliário, e se transferiu para Florianópolis. Comprou a Rádio Anita Garibaldi, fundada e de propriedade inicial do popular médico lagunense Julíbio Jupy Barreto.
Levou consigo o jornalista César Machado, a quem já confiara o rádio-jornalismo anteriormente. Na mesma emissora atuaram muitos e reconhecidos valores, dentre os quais os conhecidos jornalistas/radialistas Cyro e Aibil Barreto.
Desde tenra idade Nelson teve um problema físico que o atormentava quando ocorriam contumazes crises: uma anomalia no joelho esquerdo.
Genro do bravo militar Coronel Trujilo Mello, sua esposa D. Flávia (irmã de Osny Melo) acabou viúva após alguns anos.
O idealismo que convertera Nelson Almeida em um verdadeiro mito desde tenra idade ficou como marca indelével para quem teve a grata oportunidade de desfrutar das criativas lições de um homem que, com incrível sensibilidade, nasceu para formar talentos.
Sou particularmente reconhecido à obra deste astro de primeira grandeza no rádio.
Nelson Alves de Paula Almeida há de estar em um bom lugar…

À MEMÓRIA DE NELSON ALMEIDA (III)

Nelson Almeida jamais deixou de transpor barreiras que se antepunham a sua trajetória profissional. Nunca foi de muitos amigos. Tinha sua rodinha mais íntima a quem relatava algumas idéias, sem jamais expor os planos integrais que tinha na cabeça.
Nas décadas de 1950 e 1960 não era tarefa cômoda dirigir uma emissora de rádio. Não havia nem um décimo dos recursos que hoje estão disponíveis, especialmente no concernente à parte técnica. Os transmissores ainda eram dotados de válvulas e, dentre estas, a chamado 813 (ou válvula mãe).
Até os mais céticos apelavam a uma oração ou um pensamento muito positivo para que ela não “queimasse”; se isso ocorresse, sairia pelo ralo o orçamento de quase um mês da emissora, não somente pelo seu custo. É que, sendo rara a sua queima, não estava à disposição para compra a não ser em São Paulo e, na melhor das hipóteses, em Porto Alegre.
Exatamente esse fator levava as emissoras de ondas médias a planejar intervalos vespertinos e também horários mais restritos de funcionamento, pois a vida útil da 813, como de resto todos os demais componentes do transmissor, era restrita (como as lâmpadas de resistência de hoje, que já estão sendo superadas).
Corria o ano de 1949 e a Rádio Difusora de Laguna seguia liderando, absoluta, a audiência no sul catarinense. Um bárbaro crime é perpetrado na cidade. Um médico, sob a alegação de que sua mulher o vinha traindo, sufoca-a na banheira esmaltada onde ela se banhava, na casa onde residiam.
Por se tratar de pessoa altamente integrada à sociedade local, o caso surgiu como uma bomba. Depois de um processo de relativa duração, eis que o Dr. Santiago finalmente senta no banco dos réus.
Nelson Almeida não perdeu tempo. Com a sempre eficaz companhia de Carlos Horn, um verdadeiro aparato de equipamentos foi instalado no Fórum da Cidade (na chamada antiga Câmara de Vereadores).
Anunciado insistentemente pela Difusora durante todos os dias que antecederam o Júri, o sul catarinense ficou prevenido para acompanhar o desenrolar desse acontecimento tão inusitado quanto violento.
Nelson foi pessoalmente fazer a cobertura de todo o transcorrer dos debates entre acusação (Promotoria Pública) e defesa. E nesta, ninguém menos que o mais brilhante jurista de então, o próprio desafeto de Nelson Almeida, Dr. João de Oliveira.
Uma linha própria substituiu a linha telefônica, muito requisitada naquele tempo em transmissões externas. Um dos júris mais longos estava por começar.
E – sem nenhuma dúvida – poucas transmissões no Brasil, envolvendo um só fato, perduraram por tanto tempo. Foram três dias de cobertura ininterrupta desde o Fórum da Comarca.
A astúcia do criminalista João de Oliveira era algo incomum. Levou os jurados a tal ponto de convencimento da inocência de seu constituinte, que este deixou a sala de julgamento sob a tutela do mesmo: absolvido.
Sedimentou-se ainda mais o prestígio e o “poder de fogo” d’ “A Mais Poderosa”, status que ela jamais deixou de ostentar, para orgulho dos lagunenses e profissionais que por ela passaram e jamais a esqueceram.
Carlos Horn, por sua vez, conseguira o “milagre” de manter a emissora três dias no ar, sem que nenhum dano viesse a ser causado ao seu equipamento.
Depois desse dia, o Dr. Santiago deixou a cidade para nunca mais voltar e sem deixar endereço a quem quer que fosse.

À MEMÓRIA DE NELSON ALMEIDA (II)

Em capítulo dedicado a Nelson Almeida em meu livro “História da Comunicação no Sul de Santa Catarina” (relatos de 1831 a 1970), tive a oportunidade de traçar um breve perfil desse extraordinário profissional do rádio.
Nelson, antes de vir para Laguna, teve uma passagem pelo rádio da sua terra natal, Paranaguá (litoral paranaense), bem como de Curitiba, na PRB-2.
Chegou jovem ainda na Terra Juliana e logo iniciou gestões no sentido de implantar um veículo de divulgação. Mas antes de tudo isso, havia um sério problema a enfrentar: como viver em Laguna com os poucos recursos que trouxera?
A solução veio através de seu primeiro e sempre leal amigo, Major Pompílio Pereira Bento, então agente do Lloyd Brasileiro: foi montada uma leiteria no centro (hoje chamado histórico) da cidade e entregue aos cuidados de Nelson.
Mesmo totalmente alheio a sua vocação, o ramo rendeu o suficiente para sua manutenção e amealhar alguma poupança mensal.
Passados alguns meses Nelson já possuía o suficiente para entrar numa pequena mas competente sociedade que viria a surgir: um rudimentar meio de comunicação chamado Rádio Tupã, que nada mais era do que um serviço de alto-falantes, cujas “cornetas” de projeção de som (duas) foram afixadas em postes de locais estratégicos da cidade.
Um sócio imprescindível para isso, foi o saudoso Carlos Rodrigues Horn, rádio-técnico de renome e um apaixonado pelas comunicações. A eles se uniu Erotides Guimarães.
Mantendo Horn sempre a seu lado (e assim o fizeram todos os que se revezaram na direção da Rádio Difusora mais tarde), era meio caminho andado para chegar ao seu projeto final: uma rádio de projeção para o Sul catarinense.
A Rádio Difusora de Laguna – ZYH-6 –, sendo a única no Sul de 1946 até 1948, firmou um conceito tão sólido que continuou sendo uma “dor de cabeça” para os posteriores prefixos instalados na região (especialmente a Eldorado de Criciúma, da era De Patta, e a Rádio Tubá, de Tubarão, da era Annes Gualberto/Edgar Lemos).
Era muito difícil enfrentar a criatividade de Nelson Almeida. Homem que labutou a vida inteira no segmento, dedicando-se apenas a criar e formar excelentes equipes, possuía um tino incomparável para distribuir atribuições a cada um de seus locutores, redatores, apresentadores e outros funcionários, segundo tendências e aptidões de cada um.
Criou o “Picadeiro Político”, programa crítico e ultra satírico, num tempo em que o jornalismo não media muito as palavras quando se tratava de criticar. Uma particularidade interessante: Nelson jamais escreveu um comentário sequer, mas contou – no Picadeiro Político – com a capacidade jornalística de um homem que fez escola e da qual fomos alunos: Osmar Ferreira Cook. De inteligência e cultura prodigiosas, Osmar Cook, após passar (por sua vez) pela escola do brilhante advogado e jornalista, Dr. João de Oliveira, dono do temido semanário Correio do Sul (cujo imponente prédio ainda existe, e muito bem conservado), veio a compor a titularidade de redação do antagonista “Picadeiro Político”.
Milhares de ouvintes aguardavam tanto a tiragem do temerário Correio do Sul, como também as transmissões de eu desafeto, Nelson Almeida, com o seu Picadeiro Político. Essa guerra de ataques diretos e extremamente “salgados” só iria terminar quando Nelson vendeu a rádio e se transferiu para Araranguá.